Greve dos Correios tem pouca adesão


Os números locais são divergentes, mas a greve dos Correios está instalada - desde ontem - em pelo menos 20 estados do Brasil mais o Distrito Federal. No Rio Grande do Norte, a assessoria da empresa estima que a adesão atingiu cerca de 10% dos servidores; enquanto que o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do RN (Sintect) contabiliza 30% de adesão à paralisação dos serviços de postagem e entrega de correspondência no Estado.
Alex CostaFuncionários dos Correios reivindicam 43% de aumento. ECT oferece 5,2%
Funcionários dos Correios reivindicam 43% de aumento. ECT oferece 5,2%

Os trabalhadores reivindicam aumento de 10% sobre os vencimentos mais compensação por perdas salariais acumuladas desde 1994, o que totaliza 43% de reajuste. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ofereceu 5,2%, ou o índice acumulado da inflação nos últimos 12 meses, de aumento. O Sintect-RN e a assessoria de imprensa dos Correios no RN confirmaram, à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, que a prestação dos serviços postais não foram interrompidos - inclusive as rotinas bancárias. "As agências estão funcionando quase que normalmente, pois a adesão maior foi dos carteiros", informou José Ferreira de Azevedo Filho, presidente em exercício do Sintect-RN. 

Não há previsão para o fim da greve e, como não houve acordo prévio entre o Sindicato nacional da categoria e a direção dos Correios, os pleitos trabalhistas foram ajuizados e serão analisados pelo Tribunal Superior do Trabalho em Brasília. A primeira audiência para se tentar chegar a uma conciliação para o dissídio coletivo aconteceu no início da noite desta quarta-feira (19): "Dependendo do resultado dessa audiência, iremos realizar uma assembleia amanhã aqui em Natal para definir qual será nosso posicionamento", adiantou Azevedo Filho.

Ao todo, segundo informações repassadas pelo Sindicato, são 1,4 mil trabalhadores dos Correios no RN. Ainda de acordo com Sintect local, além de alguns postos em Natal estarem funcionando de forma precária, a adesão em Mossoró chegou a 70%, e em outras cidades do Estado como Assu, Pau dos Ferros, Alto do Rodrigues, Baraúnas e Caicó também registra paralisação.

Já Mauro José da Silva, da assessoria dos Correios, garante que "a adesão foi pequena, apenas 63 servidores pararam, por isso as agências continuam atendendo normalmente". Do total de grevistas, 80% estão em Natal e 20% trabalham em Mossoró.

SEGURANÇA

Além do reajuste salarial, o Sintect-RN exige a contratação de novos servidores para evitar "a terceirização dos serviços", e a presença de "seguranças armados e instalação de porta giratória com detector de metal" a fim de evitar assaltos. "A violência aumentou em 2012, só neste mês de setembro cinco agências do interior foram assaltadas", disse Azevedo Filho, presidente do Sindicato. Ele informou que, este ano, a agência do Alecrim foi assaltada uma vez e a Macaíba duas vezes.

Bancários querem 23% de reajuste. Bancos oferecem 6%

A greve no setor bancário completa três dias hoje, e ainda não há previsão para a retomada do funcionamento normal das agências. A interrupção no atendimento atinge, principalmente, as instituições públicas; e o Sindicato dos Bancários do RN vem realizando assembleias diárias para organizar as articulações do movimento grevista e manter os trabalhadores informados sobre o andamento das negociações nacionais. "Apresentamos uma proposta com reajuste de 23% para todos os níveis. Com esse índice, atingiremos o patamar do salário mínimo ideal calculado pelo Dieese, que hoje está em R$ 2,4 mil. Seria uma forma de unificar o piso inicial dos bancários", disse Marta Turra, coordenadora geral do Sindicato no RN. O setor de compensação de cheques e documentos continua funcionando normalmente em todo o Brasil.

De acordo com a dirigente, o comando nacional da greve chegou a pleitear 10,25% como tentativa de avançar nas negociações, mas a proposta não foi aceita. "Foi um pedido modesto, mas mesmo assim os bancos estão irredutíveis quanto ao reajuste de 6%, ou 0,7% acima da inflação", disse Marta. Segundo o Sindicato dos Bancários, os funcionários do BNB acumularam 103% de perdas salariais nos últimos oito anos. Na Caixa Econômica federal, esse índice chega a 96% e no Banco do Brasil 89%. "No caso dos bancos privados, os 23% recuperaria essa defasagem", avaliou a coordenadora. Até o momento os banqueiros não apresentaram nenhuma contraproposta.

Os grevistas também cobram a realização de novos concursos públicos para contratação imediata, e a "confirmação da CEF para chamar cinco mil trabalhadores aprovados" até o final do ano. "Isso vai refletir diretamente no atendimento ao público", garantiu Marta Turra. Ainda está em pauta o adicional por tempo de serviço e plano odontológico "para todo mundo". 

Para Marta, a adesão à greve deste ano registra índices maiores que os verificados em 2011, "exceto em São Paulo, onde 85% dos bancários trabalham no setor privado". O movimento no RN reflete os índices nacionais: 90% dos trabalhadores de bancos públicos paralisaram suas atividades. "Nas instituições privadas, ainda há dificuldade para adesão à greve, mas a média está maior que a nacional", garantiu.

Serviço

Vale ressaltar que a greve não altera data de vencimento de faturas, boletos bancários ou qualquer outra cobrança, cuja segunda via é obrigação do fornecedor. O consumidor deve procurar as empresas emissoras dos boletos e solicitar a segunda via de cobrança ou outras opções para efetuar o pagamento, que pode ser feito em caixas eletrônicos, internet, débito automático e correspondentes bancários. 

Transferências, saques, saldo e extratos estão disponíveis em caixas eletrônicos, mas os depósitos estão restritos: em Natal, o Banco do Brasil mantém o serviço automático funcionando apenas entre às 9h e às 12h nas agências dos shopping centers. Em Parnamirim, o BB acata depósitos das 8h às 10h. "Na CEF os depósitos estão parcialmente suspensos", informou Marta Turra. As casas lotéricas recebem apenas depósitos em dinheiro e até o limite de R$ 1 mil. A TN percorreu as agências bancárias da Caixa na Ribeira e Cidade Alta e constatou que não havia envelopes disponíveis para depósito nas salas de autoatendimento; e as atendentes não souberam informar onde os clientes poderiam depositar cheques.

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