Yuno Silva - repórter
Macas espalhadas pelos corredores, intenso movimento de ambulâncias na portaria, greves de ortopedistas e a falta de medicamentos pontuam o quadro caótico que assola os hospitais públicos em Natal. Em meio a esse caos, o espaço conhecido como Classe Hospitalar emana um pouco de conforto aos pequenos pacientes internados na ala pediátrica e no setor de queimados (CTQ) do Hospital Walfredo Gurgel. A iniciativa, prevista na lei federal nº 10685/2000, oferece atividades educativas e jogos lúdicos dentro do ambiente hospitalar; e transforma a realidade de crianças e adolescentes que aguardam a vez na sala de cirurgia ou aquelas em fase de recuperação.
Adriano Abreu
Igor José Pedroso de Oliveira, 14 anos, recupera-se de um acidente vascular cerebral (AVC) e aproveita o tempo para ler livros
Como o próprio nome já diz, a Classe Hospitalar funciona como uma sala de aula volante, que atende desde pacientes em idade pré-escolar até o último ano do ensino fundamental, onde cadernos, lápis de cor, livros e brinquedos dividem espaço com ataduras, soros e curativos.
Vinculada à Escola Municipal Ulisses de Góis, em Nova Descoberta, unidade de ensino fundamental mais próxima ao Walfredo Gurgel, a Classe Hospitalar "é como se uma sala de aula tivesse sido deslocada aqui para dentro do hospital, onde todos os pacientes são considerados alunos durante o período que permanecerem no hospital", explicou a técnica em Nutrição e Psicopedagogia Maria de Fátima Ferreira Galvão, que cuida diariamente do espaço durante o período da manhã.
O projeto é viabilizado a partir da parceria entre o hospital e a Secretaria Municipal de Educação - além do Walfredo, outras duas Classes funcionam nos hospitais Santa Catarina e Maria Alice Fernandes, ambos na zona Norte da capital potiguar. Desde que foi implantado, em fevereiro deste ano, cerca de 150 pacientes/alunos já foram atendidos pelo projeto.
Fátima Galvão disse que "não é um trabalho fácil, requer muito carinho e paciência, mas extremamente gratificante. Além de ajudar na recuperação dos pacientes, colhemos resultados bem práticos em termos de aprendizado". Como a rotatividade é grande, e o espaço é limitado, muitos atendimentos são feitos nas próprias enfermarias.
O espaço também é aberto às mães, cujos filhos estão impossibilitados de participar das atividades por estarem internados em UTI, por exemplo. "Muitos pais e mães deixam cartas de agradecimento, tanto pelo aprendizado do filho como pelo próprio apoio psicológico oferecido aqui por nós", lembrou Fátima.
A dona de casa Marineide Querino Leandro, 33, mãe do pequeno Vitor Gabriel Leandro Santana, de 5 anos, que desenhava enquanto a reportagem da TRIBUNA DO NORTE conhecia o espaço, disse que o projeto "ajuda bastante em todos os sentidos", avaliou.
O adolescente Luan Mendes, 13, do município de João Câmara, machucou o braço esquerdo jogando bola e, enquanto aguarda vaga para cirurgia, tirou suas dúvidas de matemática com a professora Fátima Galvão. "Estava com dificuldade em fração e raiz quadrada e ela me ensinou", disse Luan, aluno do 9º ano e há oito dias internado na enfermaria da ala pediátrica do HWG.
Seu vizinho de cama e colega de enfermaria, Igor José Pedroso de Oliveira, 14, se recupera de um acidente vascular cerebral (AVC) há 23 dias, e durante o período superou sua dificuldade na leitura. "Já li mais de dez livros", comemora o estudante. O AVC atingiu o lado esquerdo do corpo do garoto, e uma das formas de estimular a recuperação dos movimentos é a pintura.
do TN
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