Goianinha vive pior seca dos últimos cem anos


 da PMG
Goianinha vive a pior seca dos últimos cem anos. Essa é a triste realidade que atinge os moradores, principalmente, da zona rural do município. Quem frequenta os bairros mais afastados do Centro vê um cenário desolador, em estado gravíssimo. São árvores e animais mortos ou bem próximos a isso. No trecho da RN-003 que liga Goianinha a outras cidades, os restos mortais dos gados estão às margens da estrada.
Na manhã da quinta-feira (11) os produtores rurais realizaram uma manifestação no Centro da cidade e em seguida discursaram sobre o tema na Câmara Municipal. O Prefeito Júnior Rocha ouviu atentamente as solicitações. “Vou sempre continuar defendendo as pessoas de Goianinha. A situação é muito preocupante. Mensalmente nós distribuímos duas mil cestas básicas completas. No mês passado foram duas rodadas, sendo duas vezes ao mês, para diminuir a situação. A secretaria municipal de Agricultura está fazendo um plano de ações e até o início da próxima semana vamos colocar em prática”.
Os dados da falta em chuva em Goianinha são alarmantes. De acordo com a Emparn, a média do índice de pluviosidade do município é entre 1.200 a 1.300 milímetros, por ano. Em 2011, a foi de 1.800 mm. Em 2012, foi de 596 mm. Em 2013, até o momento choveu apenas 67 milímetros. A situação é ainda mais grave porque em outros períodos passados de seca, normalmente no ano seguinte a forte chuva, de certa maneira, compensava. E isso não está acontecendo agora quando a seca praticamente emendou do ano passado para esse ano.
Uma referência na cidade é o açude do Bom Jardim. Uma das pessoas mais conhecidas do município, Dona Helena, mora próximo e disse que nunca viu o açude dessa maneira. “Moro aqui desde 1945, quando me casei e nunca vi o açude do Bom Jardim tão seco”, enfatiza. Os goianinhenses são acostumados com chuva durante os dias da Festa da Padroeira Nossa Senhora dos Prazeres, mas nesse ano praticamente não choveu.
O Presidente da Associação dos Produtores de Cana, Renato Lima, chama de situação de calamidade, com lagoas e reservatórios secando rapidamente, sem condições de irrigar a cana por falta de água. “A quebra de safra de cana já chegou aos 40%”, afirma. Ainda de acordo com Renato Lima, já está confirmado a mortandade de 20% da cana. A mortalidade de animais também é em número alto devido a falta de pasto e volumoso (capim). Uma das piores consequências da seca na região Agreste é o desemprego. Cerca de 80% da mão de obra foi demitida das empresas privadas e sem previsão de contratação.
Durante a sessão desta quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal, Dison Lisboa, falou sobre o apoio que é necessários dos governos estadual e federal. “A gente vê no dia-a-dia que as ações do governo demoram muito a chegar. A propaganda é rápida, mas a ação para chegar aqui demora muito”. Os demais vereadores também manifestaram apoio ao movimento para que sejam desenvolvidas políticas públicas para amenizar os efeitos da seca em Goianinha.

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