“Quero fazer uma reforma, comprar prateleiras, e trazer mais mercadorias”, revela o produtor, que vendeu o rebanho para abrir a loja e pretende recorrer aos bancos para expandir o negócio. O momento, reconhece o setor, é favorável para obter crédito. Só o Banco do Brasil ampliará em 22,7% o valor destinado aos produtores do estado (R$ 100 milhões), dentro do plano safra 2013/2014, anunciado na última semana.
A Caixa, que estreou no segmento em setembro de 2012, disponibilizará inicialmente R$ 9 milhões à pessoas físicas no estado. Valor que poderá subir de acordo com a demanda, segundo a superintendência. O Banco do Nordeste, responsável por mais de 70% das operações contratadas pelos produtores do RN, não divulgou o valor destinado a safra atual, mas garantiu que não faltarão recursos ao homem do campo.
O governo federal também lançou, nos últimos meses, uma série de planos, ampliando o volume de recursos à disposição do segmento, e facilitando a renegociação das dívidas rurais. Só o Plano Safra Semiárido lançado na última semana destinará R$ 7 bilhões para a região – a maior parte desse recurso irá para os agricultores familiares, que no RN, terão a disposição R$ 330 milhões para investir na propriedade ou custear a atividade.
Roberto Belarmino também investirá mais este ano. O criador de gado e arrendatário de um laticínio em Macaíba, diz ter enxergado um novo nicho de mercado e agora planeja abrir uma agroindústria. “Tem setores no estado que podem avançar. Posso dizer que enxerguei uma oportunidade”. Belarmino, que ainda trabalha no projeto e prefere não revelar o ramo em que atuará, calcula que investirá cerca de R$ 700 mil na agroindústria. “Costumo investir com recursos próprios. Mas desta vez vou procurar um banco. Abrir uma agroindústria é muito oneroso”.
Nem todos os produtores potiguares conseguirão, porém, acessar o crédito disponibilizado pelos bancos e pelo governo, alerta José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern). “Há muitos produtores endividados no estado e na Região”, diz. Matéria publicada pela TRIBUNA DO NORTE em junho de 2012, antes do agravamento da seca, já mostrava que a inadimplência entre agricultores familiares, micro e pequenos produtores rurais no Rio Grande do Norte girava em torno de 34%, segundo dados do Movimento Pequenos Agricultores, maior que o verificado no Nordeste e no país.
A Faern não tem os dados atuais, mas confirma: a inadimplência é alta e pode atrapalhar a concessão de crédito no estado - apesar do aumento da oferta.
da TN
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