A luta dos moradores de Morro Branco e Nova Descoberta contra a violência continua. Na manhã deste sábado (13), uma reunião na capela Nossa Senhora das Vitórias, ao lado da Lagoa do Jacaré, discutiu detalhes acerca do posto policial a ser implantado para reduzir as estatísticas criminais das duas comunidades. Promovido pela Associação Potiguar em Defesa da Cidadania, o encontro focou no ponto de discórdia entre moradores e poder público: aqueles querem o prédio policial em um canteiro no cruzamento das ruas Tarcísio Galvão e a avenida Brigadeiro Gomes Ribeiro. Este, dentro do terreno da Prefeitura de Natal que tem campo de futebol e quadra poliesportiva, chamado de ‘Agripinão’, no pé do morro que fica nas imediações do cemitério.
Segundo Mário Emerenciano, presidente de Associação, ofícios com mais de mil assinaturas anexadas teriam sido enviadas à Prefeitura de Natal e ao Governo do Estado. A própria governadora teria garantido o envio de duas viaturas e o contingente correlato, após a construção do posto policial, que será custeado de forma integral pelos próprios moradores. “Temos feito várias reuniões, nos últimos dois meses. O policiamento aumentou, mas a violência continua. Essa semana mesmo, duas casas foram assaltadas na Aberlardo Calafange [rua]“. O imbróglio foi estabelecido, segundo Mário, com a recusa da Prefeitura em ceder um canteiro para tal iniciativa. “Eles alegam que é proibido, mas existem bares, lanchonetes e todo tipo de comércio em canteiros da cidade. Nós queremos o que era para ser feito pelo poder público, que é garantir a segurança do cidadão”.
Quem estaria por trás da mudança de local do posto, sempre segundo Mário, é o vereador Ary Gomes, cujo reduto eleitoral é exatamente Nova Descoberta. “Por pura politicagem, querem que o posto vá lá para perto do morro. Mas a violência, os assaltos, os tiros ocorrerem aqui em Morro Branco. Então o posto tem que ficar aqui, à vista de todos, para intimidar o bandido. Não podemos aceitar isso, um posto escondido da população. Até o promotor do meio ambiente, doutor Márcio Diógenes, ao contrário do que afirmou o vereador Ary Gomes, disse que não ia proibir a cessão do canteiro, em virtude do motivo em questão. Morro Branco tem um dos IPTUs [Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana] mais caros de Natal e mesmo assim um empresário que mora aqui é quem vai bancar todo o posto”.
Um dos locais prediletos por bandidos é a Lagoa do Jacaré, ao lado de onde os moradores gostariam que fosse construído o posto. “A corja de bandido fica aí dentro, só esperando alguém sair de casa. Um dia desses, teve um assalto aqui ao lado, em que o morador levou um tiro. Mais à frente, tem uma parada de ônibus [na rua Tarcísio Galvão] que quase ninguém escapa. Se for à noite, é assalto direto”, diz o 1º Sargento reformado da Polícia Militar, Edmilson Lima. A ironia de ter trabalhado pela segurança dos outros e agora buscar ajuda para garantir a sua é percebida por um homem que demonstra o fim da paciência com a ausência de segurança. “As pessoas estão vendendo suas casas para fugir dessa rotina que ninguém aguenta mais. Eu mesmo penso em vender a minha, mas, se antes ela valia uns R$ 400 mil, agora ninguém dá mais de R$ 300 mil”.
Outra revoltada com o fim da tranquilidade é a pedagoga Sandra Patrício da Silva Maciel. Mãe de dois meninos (7 e 10 anos), ela mudou a dinâmica familiar por ter medo do pior. “Aqui sempre foi uma área muito boa para se morar, mas, hoje, meus filhos não brincam mais na rua, não andam de bicicleta, que deveria ser um direito deles. Frequentemente, ouvimos gritos de vizinhos por socorro. Eu vivo com medo, principalmente quando chego da rua à noite. Aliás, eu e meu marido evitamos sair à noite com medo de como será a volta, na hora de abrir o portão e entrar na garagem. A rua tem vigia, o IPTU é alto, mas não temos o mínimo de segurança”.
A reportagem tentou falar com o vereador Ary Gomes, mas seu celular estava desligado durante a metade da manhã deste sábado (13). Já a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), órgão que autoriza a construção em áreas públicas, na voz do secretário Marcelo Toscano, informou que não recebeu ofício ou qualquer notificação sobre o caso. Enquanto a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), via assessoria de comunicação, confirmou o recebimento e que o mesmo seria analisado pelo setor jurídico do órgão no decorrer da próxima semana. Existe a possibilidade de um parecer favorável aos moradores, segundo a assessoria, ainda que o Ministério Público tenha determinado a proibição de construções em canteiros públicos, pois o motivo da reivindicação merece uma análise criteriosa.
do JH
Nenhum comentário:
Postar um comentário