Aventura será retomada por terra

Cônsul honorário da Holanda no Brasil, Monique Degens, recebeu Ebrahim na Base Naval de Natal, após o resgate feito pela Marinha
“Pedalar no mar” até chegar a América do Sul. Era esse o objetivo do velejador resgatado pela Marinha na última quinta-feira (29), a 1.000 km ao norte do litoral potiguar, após ter sua embarcação atacada por tubarões e ficar à deriva em alto-mar.
Iraniano naturalizado holandês, o aventureiro Ebrahim Hemmatnia, de 38 anos, saiu de Dakar, capital do Senegal, na África, no dia 23 de novembro do ano passado, em uma embarcação movida a pedal que também pode ser adaptada para ser usada em terra, como uma bicicleta. Nesses dias todos, ele se manteve com comida de astronauta e água da chuva e do mar (após eliminar o sal com um equipamento dessalinizador).

A ideia do iraniano é dar a volta ao mundo viajando 50 mil quilômetros, sendo 35 mil na água e 15 mil sobre terra. Na jornada em torno da linha do Equador, Ebrahimtem como ponto final a cidade de Lima, capital do Peru. Na manhã de ontem (2) o navio- patrulha Macau, que participou do resgate, retornou à Base Naval de Natal trazendo Ebrahim e sua embarcação, que teve o leme e a escotilha danificados pelos tubarões e, por isso, não pôde seguir viagem.  Falando em inglês e holandês, o estrangeiro se comunicou com a ajuda da cônsul honorário da Holanda no Brasil, Monique Degens.  

Ebrahim contou que trabalha na Holanda como cartógrafo (fazendo mapas) e que partiu de Dakar no dia 23 de novembro, em sua embarcação especial. Ele se dirigia à Fortaleza. Na capital do Ceará, faria a adaptação da embarcação, colocando pneus, para transformá-la em bicicleta e continuar a aventura por terra até o Rio de Janeiro. O próximo roteiro seria Lima, no Peru, também por terra. Seria, não. Será! 

Mesmo com o susto que passou com o ataque dos tubarões, Ebrahim se mostrou, o tempo todo,  muito bem-humorado e decidido a continuar a viagem. “Fiquei com medo na hora, mas sentia que ia sobreviver”, disse ele.

Após desembarcar na Base Naval de Natal, ele foi levado pela  Marinha à Polícia Federal e Receita Federal, para regularizar sua documentação. “Depois disso e de consertar a embarcação, ele vai poder retomar sua viagem normalmente”, informou o comandante Robledo, chefe de Operações do Comando do 3º Distrito Naval.

A Marinha recebeu o sinal de alerta da embarcação de Ebrahim no final da tarde da última quarta-feira (28), por meio da Guarda Costeira da Holanda. Diante da informação, foi determinado que o navio-patrulha Macau, que estava atracado na Base Naval de Natal, se deslocasse para a área. Para auxiliar nas buscas, a Marinha contou com o apoio de uma aeronave da Força Aérea Brasileira, que localizou o bote na quinta-feira (29).
A pedido da Marinha, o resgate foi feito pelo barco pesqueiro Ouled si Mohand, da empresa Europesca, que se encontrava nas proximidades da área e que prestou apoio até a chegada do navio-patrulha Macau, na madrugada de sábado (31). Segundo o comandante do navio, capitão de corveta Bruno Emilião, o resgatado encontrava-se bem de saúde, apesar de um pouco assustado. Bem e com muito bom humor. Ao chegar na Base, ontem, um repórter perguntou qual a sensação de pisar em terra firme, após tanto tempo no barco e do susto dos tubarões, ao que respondeu: “Já estou com saudades do mar”. 
da TN

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