Jornalista Ricardo Kotscho destaca em texto publicado em seu blog que,
"se Eduardo Cunha derrotar o governo de novo" na escolha do líder da
bancada do PMDB na Câmara, marcada para esta quarta-feira 17, "o País
pode ficar mais ingovernável do que já está"; "Ninguém aguenta mais esta
zica (não confundir com a epidemia do mosquito)", protesta Kotscho
Por Ricardo Kotscho, em seu blog
"Zica - expressão popular: designação comum que denota azar, falta de sorte, infortúnio" (Dicionário Online de Português).
Que mal fizemos nós brasileiros para cair nas mãos deste até outro
dia obscuro político carioca chamado Eduardo Cunha, que entrou na
política pelas mãos de Fernando Collor, e hoje dá e tira as cartas em
Brasília, apenas 30 anos após a redemocratização do País?
Que espera a Justiça brasileira para finalmente tirar de cena e
processar o presidente da Câmara que está rindo da nossa cara e
infernizando a vida de todos para se salvar?
Como vimos durante todo o ano passado, só deu ele na terça-feira,
quando o Congresso Nacional finalmente retomou os trabalhos, após quase
dois meses de férias. A tropa de choque de Cunha entrou em campo com
força total para melar o processo por falta de decoro no Conselho de
Ética, ao mesmo tempo em que o procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, pedia ao Supremo Tribunal Federal que aceite a denúncia movida em
agosto pela PGR para a abertura de ação penal contra o parlamentar, na
qual é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo Janot, o presidente da Câmara "sempre se mostrou agressivo e
dado a retaliações a todos aqueles que se colocam em seu caminho a
contrariar seus interesses (...) para a garantia e efetividade de suas
atividades ilícitas". Entre outras, o procurador-geral o acusa de ter
transformado sua atividade parlamentar num "balcão de negócios".
Para salvar a própria pele, Cunha joga novamente todas as suas fichas
no impeachment da presidente Dilma Rousseff nesta guerra política sem
fim, que está paralisando as atividades econômicas num cenário muito
mais grave do que o do final de 2015.
O objetivo imediato dele agora é implodir a combalida base aliada do
governo para evitar as votações do ajuste fiscal com a eleição do seu
candidato Hugo Motta para líder da bancada do PMDB na Câmara, que
disputa o cargo com o governista Leonardo Picciani. A votação secreta
está marcada para esta quarta-feira e o resultado até o momento é
absolutamente imprevisível.
Se Eduardo Cunha derrotar o governo de novo _ até agora ele está
invicto _ o País pode ficar mais ingovernável do que já está. Ninguém
aguenta mais esta zica (não confundir com a epidemia do mosquito).
do 247
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