
O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, participou de esquema ilegal de vendas de ingressos na Copa do Mundo no Brasil, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Destacado para coordenar o Mundial no Brasil e braço direito de Joseph Blatter, Valcke teria faturado dois milhões de euros (quase R$ 9 milhões) com a venda irregular de bilhetes.
Valcke facilitou a saída de ingressos da Fifa para que fossem comercializados com ágio de 200%. Ele ficava com 50% do lucro alcançado pelo esquema fraudulento.
Ingressos dos três jogos iniciais da Alemanha, normalmente vendido a US$ 190, eram negociados com anuência da Fifa por US$ 570. Jogos das oitavas, que custavam US$ 230, eram comercializados por US$ 1,3 mil.
De acordo com a publicação, a denúncia contra Valcke foi apresentada por Benny Alon, dono da JB Marketing, empresa que negocia ingressos dos Mundiais desde 1990. Segundo Alon, mais de 8 mil ingressos a que teria direito “desapareceram”.
O empresário apresentou e-mails trocados com o Valcke para corroborar sua denúncia. O conteúdo apresenta negociação entre ambos para que firmassem um acerto. Segundo Alon, o lucro auferido com a venda seria repassado à Fifa. Mas o empresário afirma que Valcke ficou com os valores.
Para despistar, Valcke usava a palavra “documentos” para falar em “dinheiro vivo”. O secretário-geral da Fifa demonstra preocupação caso o esquema chegasse a público, que impactaria nas eleições presidenciais da entidade (ocorrida em maio de 2015).
Esquema azedou após entrada de mais uma empresa
O esquema entre a JB Marketing e Valcke se complicou após tomarem conhecimento das leis brasileiras. Para negociar ingressos do Mundial, era preciso também vender pacotes de hospitalidade.
E apenas uma empresa detinha o direito de vender ingressos e pacotes da Copa: a Match, empresa parceira da Fifa.
Portanto, para que a JB Marketing continuasse operando com a Fifa, era preciso envolver a Match, que seria usada para encobrir o esquema. Um acordo foi feito pela Fifa para que a JB fosse substituída pela Match em negociações de ingressos.
Mesmo sem validação, a JB continuou negociando com Valcke. Operações eram feitas em nome da Match.
Temendo que as conexões com a JB e Fifa fossem descobertas, o presidente da Match, Jaime Byrom, alertou que a empresa não teria como justificar tantas vendas e transferências de recursos.
A JB entrou em rota de colisão com a Match depois de receber bilhetes em setores que não correspondiam aos acordos iniciais. A carga de ingressos era bem menor que a esperada (8 mil a menos).
Valcke teria mandado e-mail à empresa combinando local para supostamente entregar os ingressos.
UOL
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