SOMOS QUASE 100 MIL “VAGABUNDOS” EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE

Prefeito Jaime Calado durante evento de promoção política (Wendell Jefferson/ Divulgação)
Na última quarta-feira, 13, Jaime Calado perdeu a compostura em seu aniversário. Em cima de um palanque, o prefeito, ao microfone, chamou cidadãos sãogonçalenses de “vagabundos”. Se referia àqueles que cobram nas ruas, nos blogs e nas redes sociais, a entrega dos 1.800 apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida.

Quis dar ao adjetivo “vagabundo” a conotação de quem não tem ocupação, não faz nada. Pegou mal. Ficou feio. O prefeito foi pego nas armadilhas que costuma utilizar: foi gravado. E o assunto correu a cidade.

Mais que isso: a humilhação pública atingiu de forma profunda e dolorida a dignidade das mais de sete mil pessoas que aguardam um teto para chamar de seu, idosos, deficientes, mulheres, crianças. Todos pobres.

Mas as palavras duras de Jaime Calado, a quem muitos chamam de homem fino e culto, não atingiram apenas aqueles que cobram, de forma justa, o direito à própria moradia e os que aderiram a esta luta.

As palavras cruéis foram um soco no estômago em cada pai e mãe de família sãogonçalenses que não compactuam com os desmandos públicos, que pagam seus impostos e que são solidários à dor dos outros.
Segundo as estimativas do IBGE, São Gonçalo do Amarante tem 98 mil moradores. Com poucas exceções, o perfil econômico de grande parte das famílias do município não é, em muito, diferente, daqueles que foram chamados de vagabundos pelo prefeito.

Somos uma gente sofrida que se desespera quando chega a segunda fatura de energia, porque a partir de dois boletos a Cosern corta a luz. Se desespera, mas paga. Somos cidadãos que apesar de pagarmos taxas altíssimas na Contribuição de Iluminação Pública, vivemos em ruas escuras ou mal iluminadas.

Pagamos o IPTU, mas muitas de nossas ruas não são calçadas. Zeramos a conta bancária para pagar a tarifa de água mais cara do RN. Dependemos de outros municípios para ter acesso a serviços de saúde.

Vemos o prefeito onerar a folha de pagamento em mais de R$ 4 milhões com a contratação de cargos comissionados que irão servir de moeda de troca em ano eleitoral, mas temos que conviver com um festival de obras paradas na cidade.

Vemos a cultura de nossos ancestrais ser sufocada, enquanto o prefeito brinca de Narciso e batiza os prédios públicos com o nome de seus parentes.

Passamos todos os dias pelas creches que deveriam estar ocupadas pelos nossos filhos, para ver se as obras andaram, mas constatamos que as construções se transformaram em motel ou fumódromo de drogas ilícitas.

É o cidadão, chamado de “vagabundo”, que paga com suor do seu rosto, as mordomias e salário do prefeito e seus secretários.

Com este retrato da atual administração não há outra constatação a fazer senão a de que somos “vagabundos”. Sim. Somos 98 mil vagabundos que sustentam, com seus impostos, uma gestão que não poderia ter outro adjetivo mais apropriado do que “vagabunda”

Afinal, Jaime Calado, se deres uma olhada no dicionário verás que vagabundo é um termo bem amplo. Significa também aquele que caminha sem rumo determinado; que não tem vontade de realizar suas tarefas; que não trabalha ou não gosta de trabalhar; vadio; que apresenta péssima qualidade; desprovido de honestidade; que se comporta de modo desonesto; malandro ou canalha.

E, então, prefeito, quem é mesmo vagabundo?
FRANCISCO COSTA é jornalista, editor responsável pelo FalaRN.com – Agência de Notícias do RN

do falarn.com

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