Fábrica da Ypióca em Ceará-Mirim continua sob controle familiar


As unidades fabris da cachaça Ypióca, situadas em Ceará-Mirim e nas cearenses Pindoretama, Acarape e Jaguaruana, devem permanecer sob o controle da família Telles, que passam a ter contrato de exclusividade com a Diageo, líder mundial no segmento de bebidas alcoólicas premium e fabricantes de produtos como o whisky Johnny Walker e da vodka Smirnoff.

A Ypióca vendeu um dos seus oito ramos de atuação. Permanecem no grupo os setores de água mineral, papel, papelão, embalagens, produção de cana-de-açúcar, milho, feijão, leite e criação de suínos, caprinos e ovinos. Passam para o controle da Diageo a unidade de Paraipaba (Ceará), a fábrica de envasamento em Messejana (Fortaleza) e os centros de distribuição de Messejana e Guarulhos (São Paulo).

A negociação, que durou aproximadamente um ano, foi encerrada em US$ 469 milhões – quase R$ 900 milhões. Segundo a empresa britânica, a expectativa é concluir a transação em um mês e o objetivo é que com a nova aquisição o grupo aumente sua presença nos mercados emergentes.

É esperado que o grupo trabalhe também voltado para as demandas da classe média brasileira, que aparece cada vez mais no consumo das bebidas alcoólicas mais caras. "Vamos conservar o nosso portfólio extra premium, mas a nossa estratégia tem que ser adaptada a uma nova realidade, já que além da classe A – uma das nossas principais clientes –, a classe média também tem apresentado consumo crescente dos nossos produtos" explica.

Para comercializar tanto os antigos produtos do grupo quanto a cachaça Ypióca, a empresa vai se beneficiar dos 250 mil pontos de venda da Ypióca, além de agregar 150 mil pontos de venda da própria Diageo, que já vendem as marcas Johnnie Walker e Smirnoff.

Com o negócio, a Diageo visa também ampliar a participação da Ypióca no mercado brasileiro, atualmente em 8%. Hoje, a cachaça registra 70% de suas vendas no Ceará e a intenção da empresa é buscar a expansão tanto para o Nordeste quanto para o resto do Brasil, além de fortalecer as marcas da Diageo no Nordeste.

"O objetivo é que o nosso grupo se beneficie da malha de consumidores da Ypióca no Nordeste, assim como a Ypióca se beneficie da malha de consumidores da Diageo", explicou o presidente da Diageo para o Brasil, Uruguai e Paraguai, Otto Von Sothen.

O atual presidente e sócio-controlador da Ypióca, Everardo Telles, permanece no conselho consultivo da empresa durante a transição durante os próximos dias, mas sem função executiva. O bisneto do fundador, Dario Telles de Menezes, fica com outros sete ramos de atuação. 

História

A Ypióca tem uma história de 166 anos de produção de cachaça. Tudo começou em 1846, quando foi destilado o primeiro litro de Ypióca, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. O português Dario Telles de Menezes mudou-se para o Ceará com o propósito de prosperar nos negócios e resolveu montar um grande alambique a partir de uma pequena cerâmica que trouxe de Portugal.

Em 1970, assumiu a empresa o atual presidente, Everardo Telles, que iniciou a diversificação de produtos, abrindo novas fábricas e ampliandoo mercado exportador, hoje em 40 países, com destaque para Itália, França, Espanha, Canadá, Hungria, México, Argentina e China.



Fonte: Jornal do Commercio

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