"Sempre estudei sozinho. Não conseguia um bom rendimento quando estava ao lado de mais alguém"


Alberto LeandroSebastião Paulino, médicoSebastião Paulino, médico
Meu tempo de fera - Sebastião Paulino - Médico

Desde a mais tenra idade, lá por volta dos 12 anos, já sentia exuberante tendência para cuidar de criaturas doentes. Até as brincadeiras da época, no comum das vezes, exibiam certo tino vocacional. Até chegar ao vestibular, precisei vencer obstáculos de toda ordem.  Não me sai da lembrança a época em que meu pai foi transferido para uma fazenda nos arredores de São Gonçalo do Amarante. Por força das circunstâncias, de tudo precisei fazer um pouco, intentando uma vida digna. Ainda menino, fui apresentado à agricultura, momento em que aprendi a preparar a terra para o plantio de mandioca, milho, abóbora e melancia.  Depois de um dia de trabalho, tinha que estudar. Na fazenda não existia energia elétrica. A energia era produzida por um gerador que era ligado às 18h e desligado às 20h. Para estudar, havia necessidade de manter uma lamparina acesa.

A escola mais próxima estava situada na cidade dita, o que me obrigava a caminhar todos os dias uma média de 6 km para assistir aulas. Naquela época, em meio às adversidades, já tinha a certeza plena de que só mudaria de vida, estudando com afinco. O cheiro dos cadernos e livros me atraía. Estudei em uma escola, cujo nome era "Grupo Escolar Dr. Otaviano", durante o dia. À noite, o mesmo ambiente recebia a denominação de "Ginásio Comercial de São Gonçalo do Amarante".

Algum tempo depois, já morando em Natal, fui matriculado em uma escola situada na antiga Avenida 12, cujo nome era Escola São Sebastião. Lá terminei o 1º grau.  Estudava pela manhã, à tarde e à noite, por entender que qualquer mudança em minha vida, invariavelmente, requeria suficiente conhecimento para ultrapassar o vestibular, uma barreira íngreme em demasia para quem não tinha moeda.

Consegui uma vaga para cursar o 2º Grau no cobiçado Colégio Winston Churchill. Era a certeza mais próxima de uma aprovação no vestibular. Aos poucos fui descobrindo que precisava estudar mais e mais, vez que estaria concorrendo com estudantes que nunca haviam entrado em uma escola pública. 

Comecei a ministrar aulas para alunos que moravam na Casa do Estudante, até como forma de tornar sólidos os meus conhecimentos e ganhar alguns níqueis para ajudar na compra dos tickets dos transportes coletivos. 

Sempre fui péssimo aluno em História e Geografia. O colégio não supria minhas dificuldades. Descobri que bem perto do Winston Churchill existia um cursinho com um professor de História, Geraldo, que servia de referencial na citada matéria. Decidi que entraria clandestinamente naquele ambiente de ensino. Era o conhecido cursinho Hipócrates. Naquela época o controle de entrada dos estudantes era feito no final do mês, na portaria, somente com a apresentação do carnê de pagamento. Comecei a abandonar o colégio, saindo em busca do Hipócrates, para assistir às aulas do Professor Geraldo. O único problema era a dificuldade de entrar em dia de apresentar o carnê. Como eu não tinha, ficava em frente, aguardando um vacilo do porteiro. Bastava um instante de distração, e lá estava eu, uma vez mais, já em sala de aula. 

Sempre estudei sozinho. Não conseguia bom rendimento quando estava ao lado de mais alguém. Meu melhor nível de concentração e de aprendizagem acontecia quando estava debruçado por sobre livros, sem a presença de terceiros.

Todo o meu esforço foi premiado com a tão sonhada aprovação no vestibular de Medicina. Cursei com entusiasmo, inteiramente ciente de que minha escolha havia sido certeira. Sou um profissional inteiramente realizado.  Cursei Medicina e Direito na UFRN, tendo passado pelo vestibular por duas vezes. Diante do exposto, concluo que a receita única para os vestibulandos aí está; "Estudar e jamais perder de vista o foco".

Nenhum comentário:

Postar um comentário