Nísia Floresta, praias e lagoas

Estação ferroviária: A antiga Estação Ferroviária de Parary deu lugar ao Restaurante Marina’s Camarões, que mantém diversos objetos da época da ferrovia
Larissa Cavalcante
Repórter

Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida pelo seu pseudônimo, Nísia Floresta Brasileira Augusta, nasceu no Rio Grande do Norte em 12 de outubro de 1810 e fez história como a “mais notável mulher de letras do Brasil”. Pela sua importância como educadora, jornalista, escritora e precursora do abolicionismo e do feminismo no Brasil, foi reconhecida pela pequena Vila de Papari, onde nasceu, que passou a se chamar Nísia Floresta, em 1948, em sua homenagem. É a pequena cidade, a cerca de 40 km de Natal, que o #PARTIU vai desbravar essa semana.
O passeio por Nísia Floresta começa na Igreja Matriz Nossa Senhora do Ó,  localizada na região central da cidade. Construída de 1715 a 1735 em estilo barroco, o pequeno templo com faixada simples, surpreende com seus altares imponentes e adornos dourados. O nome inusitado é uma homenagem à Nossa Senhora, que tinha seu nome sempre precedido por um  “Ó” de admiração. “Ó virgem santa, ó Nossa Senhora”. A igreja é famosa por ter sediado a primeira Campanha da Fraternidade do mundo, em 1963, e possui inclusive uma placa de reconhecimento enviada pelo papa Bento XVI. O local preserva praticamente toda a estrutura do período de sua construção e passa, atualmente, por uma restauração.
Da frente da igreja, é possível observar a próxima parada do roteiro: o famoso baobá tombado pelo Patrimônio Histórico da cidade. Existem muitas lendas e muita contradição a respeito de sua plantação. A história que circula pela cidade é que um navio negreiro, vindo da África, teria naufragado na praia de Camurupim e apenas um escravo teria sobrevivido. O homem teria plantado as sementes de baobá em agradecimento pela sua vida que foi poupada. No próprio local há uma placa informando que a árvore foi plantada em 1877 por Manoel Moura Júnior; mas há relatos do historiador Luís da Câmara Cascudo que já indicavam a existência centenária da planta ainda no século XIX.
Em seguida, uma parada no mausoléu de Nísia Floresta. A escritora faleceu em 1885 na França, onde morou por vários anos, e teve seus restos mortais trazidos ao brasil em 1954, quando o presidente Café Filho assumiu e atendeu ao pedido de intelectuais da época, de que seu corpo fosse trazido para ser enterrado em sua cidade de nascimento. Nísia foi uma das primeira mulheres do Brasil a escrever artigos em jornais. Percorreu os estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, atuando como educadora em colégios e escrevendo artigos sobre a condição feminina no Brasil e a liberdade dos escravos. Se mudou para a França aos 39 anos, onde permaneceu até o seu falecimento.
A Estação Ferroviária de Papary foi fundada em 1811 pela empresa americana Great Western. Se deve a ela o nome  “Parary”, com o y, americanizado. A estação foi criada como um entreposto de ligação entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba, e era responsável pelo escoamento de cana-de-açúcar e pelo transporte de pessoas. A cana era a grande fonte de renda da região na época. Estima-se que existiam 23 engenhos no município de Nísia. Atualmente a estação de trem está tombada pela Fundação José Augusto e abriga um restaurante de comida típica.
É impossível falar do município de Nísia Floresta sem citar as suas belas praias e lagoas. O município é um reduto de balneários de água doce que emergem do lençol freático e estão acessíveis o ano inteiro. Entre as praias, destaque para Tabatinga, que  possui um dos mais belos mirantes do estado, de onde se avistam golfinhos e tartarugas, em qualquer época do ano, devido ao difícil acesso de pessoas às regiões próximas as falésias.
da TN

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