
O que o presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, faz durante a campanha dele para o governo do Estado, nada mais é, do que se aproveitar da situação de dependência que o próprio Estado tem de recursos federais. Bom pleo menos, é isso que aponta o jornal Folha de São Paulo, que nesta terça-feira publicou editorial tratando do assunto e reafirmando o favorecimento eleitoral que o parlamentar tem diante da situação difícil do Rio Grande do Norte.
“Sem real autonomia administrativa e financeira dos Estados, tem-se na verdade um modelo que reúne o pior dos dois mundos. Centralização de verbas e favores, ao lado da provincianização da política partidária. Neste ambiente, Henrique Alves, e seus congêneres em todo o país, transitam em triunfo”, afirmou o editoral do Jornal.
O texto faz referência a uma matéria publicada na própria Folha, em que é detalhada a campanha de Henrique Eduardo Alves no interior do Estado, mostrando os discursos dele de cobrança “da conta” nas esferas nacionais. “Passando, em quatro dias, por 13 municípios do interior do Estado, o deputado potiguar fez declarações que valem por um pequeno tratado a respeito do funcionamento real do poder político no país. Não há ministro, presidente da República ou representante do Judiciário, disse o presidente da Câmara, que não tenha batido às portas de seu gabinete. Tendo ajudado a todos, prosseguiu Alves, haverá de chegar-lhe agora, caso eleito, a vez de viver a situação inversa. ‘A partir de janeiro, se preparem todos eles do Executivo, do Legislativo, do Judiciário’, disse. ‘Quem vai bater à porta deles sou eu'”, citou o texto do editorial.
“Curiosa promessa: como governador, vocalizará a situação de dependência de seu Estado diante das esferas federais. Mas a declaração funciona, do ponto de vista da campanha ao governo, como sinal da suposta vantagem que teria em relação aos adversários”, acrescentou o texto da Folha.
Segundo o editoral do jornal, os discursos de Henrique não “apresentam, no raciocínio, discordância partidárias ou programáticas. A declaração do peemedebista se harmoniza com outra realidade: na sua chapa, aliam-se tanto o PSDB de Aécio Neves como o PSB de Marina Silva”.
“Se for Marina a eleita, diz Alves, ‘teremos a força de Wilma’ – a saber, Wilma de Faria, sua candidata ao Senado, numa aliança que aliás dissolve a histórica rivalidade entre dois clãs da política local, os ‘bacuraus’ da família Alves e os ‘araras’, ligados à família Faria. Se for Aécio, ‘teremos uma amizade forte’, assegura o deputado, que ainda tem no seu próprio partido, o PMDB, o principal sustentáculo do governo Dilma Rousseff (PT), no Poder Legislativo”, acrescentou o texto.
Segundo a Folha, conceitos como “oposição” e “situação” não fazem sentido nesse universo. Importa, em benefício das demandas regionais e dos favores que se trocam por fidelidade de clã, estar sempre na situação. “Só muda a função a ser exercida nesse jogo: se a federal ou a estadual, se a de quem cobra ou a de quem recebe. Não se está no plano da representação política, no que respeita a alternativas de governo ou a interesses sociais distintos”, ressaltou.
do JH
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