Dilma Rousseff elogia coragem de Raúl Castro e Obama e defende fim do embargo a Cuba

"A geografia nos legou um só continente. Estamos todos neste mesmo e imenso barco. Cabe a nós levá-lo a porto seguro”, disse a presidenta. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A 7ª Cúpula das Américas, realizada no Panamá, inaugura uma nova era nas relações hemisféricas, na qual é exigência conviver com diferentes visões de mundo sem receitas rígidas, afirmou neste sábado (11) a presidenta Dilma Rousseff, referindo-se à primeira conferência em que os líderes dos Estados Unidos e de Cuba participam lado a lado, desde a ruptura das relações diplomáticas, há mais de 50 anos. Ela elogiou a “iniciativa corajosa” dos presidentes cubano e norte-americano, Raúl Castro e Barack Obama, que encerra o último vestígio da guerra fria no Século XXI.
Estamos seguros de que outros passos serão dados, como o fim do embargo [econômico] que há mais de cinco décadas vitima o povo cubano e enfraquece o sistema interamericano. Aí sim, continuaremos construindo as linhas que pautarão nosso futuro e estaremos sendo contemporâneos de nosso presente”, afirmou durante a primeira sessão plenária da cúpula.

A presidenta disse que é responsabilidade dos chefes de Estado e de governo dos 35 países presentes fazer deste século um período de paz e desenvolvimento para todos.  “É nosso desafio fazer da régua pela qual nos medimos seja a que medimos todos os demais. Não podemos achar que somos superiores ou inferiores a quem quer que seja.”.

O século XXI, afirmou Dilma Rousseff, tem que resgatar a esperança que um dia marcou nossa região. Região que, como disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano: “Se encuentra al otro lado de la mar – mágica mar que transfigura destinos – la gran promesa de todos los tiempos, ”

A geografia, disse Dilma, “nos legou um só continente, onde vivemos juntos, separados do resto do mundo por dois oceanos. Estamos todos neste mesmo e imenso barco. Cabe a nós levá-lo a porto seguro”.

Fim tardio da Guerra Fria
A presidenta reiterou que esta Cúpula das Américas celebra a iniciativa corajosa dos presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de reestabelecer relações entre Cuba e EUA, pondo fim a esse último vestígio da Guerra Fria na região, “que tantos prejuízos nos trouxe”. Ela agradeceu igualmente a contribuição do Papa Francisco, para que essa aproximação se realizasse.

“Com aplauso de todos líderes presentes nesse encontro, os dois presidentes deram uma prova do quanto se pode avançar quando aceitamos os ensinamentos da história e deixamos de lado preconceitos e antagonismos que tanto afetaram nossa sociedade”.

Prosperidade e cooperação
Dilma Rousseff disse que o tema escolhido para a cúpula (Prosperidade com Equidade: o desafio de cooperação nas Américas) significa “valores muito caros a todos nós, junto com a inclusão social e democracia. E representam tudo pelo que nos lutamos nos últimos anos desta década. Refletem ainda o espírito que deve presidir essa nova etapa nas relações hemisféricas”.

A chefe de Estado brasileira lembrou que, desde a primeira Cúpula das Américas, realizada em dezembro de 1994 em Miami, nos Estados Unidos, muitos avanços foram notados. “Em 1994, enfrentávamos problemas crônicos, como a fome, a miséria, o desemprego, causados, em grande medida, por visões e políticas equivocadas que agravavam a exclusão social. Recém-saídos de regimes autoritários, recebemos um legado de endividamento, concentração de renda e baixo desenvolvimento”.
do blog.planalto

Mas hoje, os países americanos estão reunidos no Panamá em um contexto diferente. “A consolidação da democracia e novos paradigmas políticos, em cada um dos nossos países, inverteram a lógica da ação do Estado, conferindo prioridade ao desenvolvimento sustentável com justiça social”.

A América Latina e o Caribe têm agora menos pobreza, menos fome, menos mortalidade infantil e materna, menos analfabetismo, lembrou Dilma. Também, tem mais comércio, mais investimentos e mais turismo. “Mas sabemos que é preciso mais riqueza, mais dignidade, mais segurança, mais educação e, assim, é o que construiremos nos próximos anos. Sem dúvida, aumentamos a expectativa de vida, o Índice de Desenvolvimento Humano e o PIB per capita. Mas, diante de nós ainda resta um longo caminho e muitos desafios”.

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