Joaquim Barbosa: ‘Até hoje não tive vontade de ser presidente’

joaquim barbosa
São Paulo – O magistrado aposentado Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou hoje (20), durante evento promovido por investidores do mercado financeiro e de capitais, que o Congresso Nacional parece estar agindo de modo passional na discussão e aprovação de projetos que têm passado pela Casa desde o início do ano. Sem especificar projetos, Barbosa dá a entender que o Legislativo importa-se mais com a queda de braço travado com o Palácio do Planalto do que com as consequências dos projetos que aprova: “Parece que o grande esporte do Legislativo é derrotar o Executivo”, ironizou.

Em palestra proferida durante o 8º Congresso Anbima de Fundos de Investimentos, em São Paulo, o ex-presidente do STF que se tornou celebridade depois de relatar a Ação Penal 470, do “mensalão”, falou durante 35 minutos, em pé, e respondeu a perguntas do público. Não poupou críticas aos demais poderes, tampouco ao setor privado.

Disse que “faltam cabeças pensantes” no Judiciário. Que a presidenta Dilma Rousseff cometeu um “erro politico imperdoável” ao não vetar aumento dos recursos destinados ao fundo partidário. E que “fala-se muito” em corrupção na esfera pública, mas muito pouco das empresas – de certa forma endossando críticas recentes de setores do Ministério Público que veem desinteresse da imprensa e do próprio Judiciário pelos desdobramentos de fatos como a Operação Zelotes e a CPI do HSBC, cujas investigações têm como alvo suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo grandes empresas, com menos impactos nas guerras políticas.

Barbosa não quis emitir opinião sobre o magistrado Luiz Edson Fachin, que irá substituí-lo no STF – sua cadeira ficou vaga desde julho do ano passado, quando Joaquim Barbosa decidiu se aposentar, mesmo podendo ainda exercer a magistrarura por mais de dez anos. “Foi aprovado”, limitou-se a dizer, referindo-se à aprovação do nome de Fachin ontem pelo Senado.

A última pergunta endereçada a ele – “O senhor nos dará o privilégio de se tornar candidato à Presidência da República?” – foi recebida com aplausos pelo público presente ao congresso da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. “Tornar-se presidente do Brasil é um honra para qualquer pessoa, desde que tenha vontade. E até hoje essa vontade eu não tive não”, respondeu Barbosa.
da RBA

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