
O motorista Erivan Gomes Aureliano, que dirigia o ônibus da empresa Reunidas, envolvido em um acidente com trem na Avenida Bernardo Vieira, se apresentou à polícia ainda ontem e prestou depoimento antes de ser liberado. As investigações devem continuar para identificar as responsabilidades pela colisão, que resultou na morte de Francisco Davi, de 14 anos, e deixou 22 pessoas feridas.
O delegado Sérgio Leocádio, titular da Delegacia Especializada de Acidente de Veículos (DEAV), informou que o motorista alega inocência. “Ele afirma que a cancela estava aberta, diz que o sinal estava verde, além de não haver sinalização horizontal e nem um sinal sonoro”, disse. O cobrador também corroborou com o relato do motorista. Mas algumas testemunhas discordam da história de Erivan. O delegado afirmou que é normal esses depoimentos conflitantes durante o processo, o que será investigado.
Ainda ontem uma equipe da DEAV foi até o local, e lá constataram a ausência de sinalização sonora, segundo eles o único som é apenas o da locomotiva. Eles também citaram a falta de sinalização horizontal, e a cancela que impede a passagem de veículos é ausente na via destinada aos ônibus, apenas na de carros leves, tem o bloqueio.
Ainda ontem foi divulgado pela prefeitura um vídeo com as imagens do instante do acidente, nele, é possível ver que o ônibus não para em nenhum momento durante a travessia da linha, até ser atingido pelo trem. Estas gravações também deverão ser usadas pela polícia na investigação, mas ainda não foram entregues aos responsáveis pela investigação. “Estas imagens ainda não chegaram para a gente, todo mundo já teve acesso, mas a parte mais importante do processo não recebeu o vídeo”, disse Sérgio Leocádio.
O depoimento dos dois maquinistas estava marcado para hoje, porém devido aos protestos realizados nas ruas da cidade, o delegado remarcou para próxima semana. A expectativa é que possam ser ouvidos não só os maquinistas, mas também o operador da cancela, os responsáveis pela sinalização do local, a direção da CBTU, as vítimas do acidente, e a família do estudante morto.
Vítima era filho único
O corpo de Francisco Davi foi velado ainda ontem, no 1º Centro de Velórios no bairro Potengi. O estudante era filho único. Os pais estavam muito emocionados e acreditam que o acidente foi causado por negligência do motorista. “Acho que foi uma irresponsabilidade do condutor do ônibus”, disse o pai de Davi, o pedreiro Francisco Edilson Teixeira. A mãe, muito abalada, declarou a importância do filho. “Ele era maravilhoso, era a minha vida. Acabou a minha vida”, falou Silvana de Almeida, 42 anos, que trabalha como manicure.
O sepultamento aconteceu na manhã de hoje, em Caiçara do Rio dos Ventos, cidade de origem da família que mora em Natal há 17 anos. A prima de Davi, Robenize de Almeida, 29 anos, disse que todos lembram da vítima como um jovem estudioso. A vítima também frequentava um curso de design gráfico.
Davi estudava na Escola Estadual Tiradentes, em Barro Vermelho. Devido ao acontecimento, as aulas foram suspensas. Cerca de trinta colegas de escola foram ao velório do estudante ontem a noite.
Professores e funcionários da escola declararam que ele era um jovem tímido e sentava no fundo da sala. A diretora da escola Edilza Maria da Silva diz que Davi era um excelente aluno. Foi ela quem comunicou à mãe do estudante sobre a morte do filho. “Soube em casa. Quando cheguei na escola, fui na sala e confirmei que ele não estava lá. Então liguei para a mãe dele. Ela ainda não sabia. Avisei sobre o acidente, dizendo que tinha sido no ônibus em que ele estava. Não dei detalhes, então ela achou que ele estava entre as pessoas que foram para o hospital”, informou Edilza.

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