
O maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) conta com aproximadamente 2,1 mil servidores. Distribuído em pontos estratégicos, a unidade dispõe de cinco aparelhos de ponto eletrônico, que, por problemas operacionais, não dão garantias à direção da unidade no controle do cumprimento da carga horária dos funcionários. Na próxima terça-feira (16), haverá uma reunião, às 19h30, no auditório do Hospital, para discutir com os funcionários o funcionamento do ponto eletrônico conforme a portaria nº 218/2013, da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap).
“A nossa máquina de ponto eletrônico não dá comprovante aos funcionários e ainda apresenta alguns problemas. Além disso, está havendo um redimensionando na escala dos médicos, de modo a aperfeiçoar a carga horária dos profissionais. O médico de plantão não deixa de vir. O médico de sobreaviso sempre que é chamado também vem. Nas enfermarias, não temos o controle toda hora, mas o paciente é medicado todos os dias, e essa é a minha prova que o médico está vindo. O maior controle é o grito do paciente dizendo que não é medicado, mas isso não está acontecendo, todos são medicados diariamente”, destacou a diretora do Hospital Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro.
A reportagem d’O Jornal de Hoje recebeu uma denúncia de que os médicos, em especial os cardiologistas, não estavam cumprindo a escala médica estabelecida pela direção do Hospital, nem tão pouco as respectivas cargas horárias. Nesta quarta-feira (10) e quinta-feira (11), a reportagem visitou as dependências do maior hospital de urgência, em especial as enfermarias e Unidade Terapia Intensiva (UTI) Cardiológica, para verificar a assistência prestada aos pacientes na área de cardiologia e verificou-se que todos os médicos que estavam escalados compareceram ao serviço e os próprios pacientes não se queixaram da ausência dos profissionais nas enfermarias.
Ao todo, são 21 cardiologistas que trabalham em três setores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel: na UTI Cardiológica, com nove cardiologistas; nas enfermarias, com parecer médico e visita, em um total de nove cardiologistas e; na cirurgia cardíaca, no parecer médico, com um profissional.
O grande problema da cardiologia do Walfredo Gurgel, a ser resolvido pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), é que na última semana, cinco cardiologistas que trabalham na UTI Cardiológica entraram com pedido de exoneração e os demais profissionais do quadro não são intensivistas e não podem assumir a escala da UTI Cardiológica. Os cardiologistas se comprometeram em cumprir a escala até o final do mês de julho, e até lá a Sesap terá que encontrar uma alternativa para garantir a continuidade do serviço.
A diretora do Hospital, Fátima Pinheiro, disse que o secretário Luiz Roberto Fonseca garantiu que a UTI Cardiológica não será fechada e que outros profissionais serão remanejados. Fátima Pinheiro conta que se reuniu com os demais cardiologistas, que não são intensivistas, apenas cardiologistas clínicos, e soube que eles estão preparando um documento a ser apresentado para a Secretaria.
“Eles não manifestaram que iam para a UTI, que pediram demissão. Só disseram que o documento prevê melhorias para a prestação do atendimento de cardiologia na porta, até para evitar que o doente vá para a UTI. O secretário [Luiz Roberto Fonseca] garantiu que não fechará a UTI e se os cardiologistas se empenharem em melhorar a qualidade da porta, vai conseguir melhorar ainda mais a qualidade do atendimento”, disse. A diretora informou que o secretário está negociando transferir a UTI Cardiológica para o Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), que também tem o serviço de hemodinâmica.
Enfermaria
Na manhã desta quarta-feira (10), 29 pacientes estavam aguardando à espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Destes, sete eram pacientes cardiológicos. Três aguardavam na sala de reanimação, dois nas enfermarias, um na observação clínica e um no corredor. Na quinta-feira (11), eram 34 pacientes à espera de UTI, sendo cinco da cardiologia. Além disso, a UTI Cardiológica, com capacidade para dez leitos, estava com a capacidade máxima preenchida. Na quarta, a cardiologista Cristiane Guedes Pita, uma das demissionárias, cumpriu o seu plantão na UTI Cardiológica e na quinta, o cardiologista Rodrigo Lopes de Sousa, que também pediu demissão, cumpriu o plantão na UTI.
Nas enfermarias, 23 pacientes cardiológicos se dividem em três andares (2º, 3º e 5º). Na quarta-feira, os 12 pacientes que estavam internados no 5º andar informaram que foram medicados e receberam a visita do cardiologista Emerson Ursulino de Sena, que não estava escalado para o dia. Os pacientes dos demais andares ainda não haviam sido visitados pelos médicos cardiologistas. No entanto, uma técnica de enfermagem informou que os médicos geralmente passam para a visita no turno vespertino. Na escala de plantão, cinco cardiologistas estavam escalados. A maioria, profissionais de 40 horas, que dedicam 20 horas para dar parecer médico e 20 horas para visitar as enfermarias.
“O médico não é obrigado a ficar de plantão, mas sou obrigado a vir ver os pacientes quantas horas ele precisar, reoperar quantas vezes precisar. A carga horária desses médicos calcula-se 72 duas na frente e mais 72 duas horas mensais por atribuição, que pode até ser mais”, destacou. A diretora Fátima Pinheiro disse que os médicos cardiologistas que são médicos parecer ou não batem o ponto eletrônico ou batem apenas na entrada, mas como eles não são plantonistas não cumprem às seis horas do plantão.
Cirurgia cardíaca
Os cinco cardiologistas que trabalham no Hospital no parecer médico da cirurgia cardíaca, explica a diretora, são acionados quando há a necessidade de cirurgia cardíaca e ela é feita fora do hospital, já que é uma cirurgia eletiva, que geralmente é feita no HUOL, Promater ou Hospital do Coração. Todos os cinco profissionais são de 40 horas, sendo que 20 horas para parecer médico na cirurgia cardíaca e mais 20 horas na captação de órgãos, em especial para transplante de coração.
“Esses médicos são sobreavisos. Só vem se forem chamados. Se hoje não tiver nenhum paciente ele não vem, mas se amanhã tiver quatro pacientes para atender, ele vem ver todos os quatros, pois no dia que ele estiver de plantão, o médico tem que estar à disposição do Hospital”, destacou.
No entanto, até um tempo atrás, os pacientes que necessitavam de parecer médico da cirurgia cardíaca tinham que se deslocar, na ambulância do hospital, até a clínica particular dos médicos. A diretora Fátima Pinheiro confirmou esta prática, porém explicou que, assim que teve conhecimento da prática, através da diretora médica, Marleide Alves, disponibilizou uma sala equipada para que os médicos atendessem os pacientes na própria dependência do hospital.
“Os médicos cardiologistas diziam que não tinham sala adequada para examinar e pedir os exames dos pacientes e encaminhávamos os pacientes em ambulâncias para as clínicas particulares deles. Isso realmente acontecia e o paciente era deslocado. Mas agora tem uma sala preparada e não aceitamos mais que o doente tenha que sair daqui para ir para o consultório do médico, pois não era bom para o paciente se deslocar. A direção não sabia dessa prática, mas assim que soubemos, resolvemos o problema”, afirmou a diretora Fátima Pinheiro.
Pacientes
O aposentado Antônio Francisco, 63 anos, mora no município de Passagem e há 15 dias está internado no Hospital. Inicialmente ele foi atendido no Hospital Regional de Santo Antônio do Salto da Onça e como está com uma artéria entupida foi encaminhado para o Walfredo Gurgel. Ele está esperando a realização de um cateterismo, que é feito em um hospital particular. “O atendimento aqui é muito bom, pois os médicos são super atenciosos, passam todos os dias e nos dão total assistência”, afirmou.
Severino Francisco Filho sofreu um enfarto no dia 28 de junho e passou nove dias internados na UTI Cardiológica do Walfredo Gurgel. Desde a última segunda-feira (8), ele foi transferido para a enfermaria. Ele deve ser transferido ainda hoje para o Hospital Universitário Onofre Lopes e, em seguida, fazer o cateterismo. Severino também ressaltou que os médicos realizam a visita diariamente.

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