A farsa da Reta

Dia sim dia não aparece nas folhas locais deputado requerendo ao Dnit o reinicia das obras de duplicação da “Reta Tabajara” e também de serviços em outras rodovias federais, algumas delas que nem saíram do papel do agrimensor de antigamente.  Tudo isso não passa de encenação  tão comum no nosso rico teatro burlesco da politica local. Há estradas, federais e estaduais, por este Rio Grande do Norte que permanecem penduradas nas pranchetas há décadas. Nas pranchetas e nos discursos das campanhas eleitorais.

Nos últimos tempos a estrada da moda é a “Reta da Tabajara”, que já é uma farsa avalizada pela Dnit com o endosso dos políticos e da mídia. Apresenta-se como um projeto de duplicação de um trecho de 28 quilômetros quando  na verdade a Reta verdadeira não ´passa de seis. O superfaturamento já é visível na sua extensão.  A Reta a ser duplicada  é um trecho da BR-304, incluindo a Tabajara, com 18 quilômetros de extensão que vai do começo da  Reta propriamente ditada, onde ela se bifurca – de um lado para Mossoró (BR-304) – e, do outro lado, no rumo do Seridó (BR-226). Dessa bifurcação até a Rotatória de Macaíba, o trecho verdadeiramente a ser duplicado é de 18 quilômetros. Os dez que sobram – Macaiba/Viaduto de Parnamirim – já foram duplicados há uns 15 anos.

Outro aspecto burlesco dessa história: a Reta Tabajara, a falsa,  que se oferece ao público é a única reta do mundo com curvas. Do final da Reta Tabajara (vindo do Seridó ou de Mossoró) até chegar ao Posto da Policia Rodoviária, imediações de Macaíba,  o trecho tem várias curvas, algumas fechadas, sem falar nas subidas e descidas, morros circundantes. 

Ano passado, nas vésperas das eleições, a Reta Tabajara ocupou as páginas dos jornais e os discursos dos candidatos. As obras seriam iniciadas. Foram.  Canteiro montado. Placas e mais placas anunciando a obra. Dezenas de tratores cortando o platô da reta verdadeira. Dois meses depois,  obras  suspensas. A empreiteira juntou de volta as máquinas, derrubou o canteiro e se mandou. Ficaram os buracos da Reta e os montes de barro por onde cresce o mato, o melão de São Caetano.

De uns três meses pra cá  os políticos voltaram a falar no reinicio das obras. É mais um encenação da comédia (ou o certo seria tragédia?) que  se acolhe nos requerimentos apresentados na Assembleia Legislativa. Os nossos governantes insistem em não revelar a realidade, galopando na mula estradeira da fantasia, do irreal.  O Brasil real, gente, é outro, muito diferente deste que se vê nos palanques. Para dar sustança a esta minha afirmação  cito uma das manchetes da Folha de S. Paulo, de ontem: “Sem dinheiro, Dnit diz que vai parar obras”.

O rombo no Dnit
Transcrevo alguns trechos da reportagem da Folha assinada por Dimmi Amora:

- O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) órgão que cuida de quase 55 mil km de estradas do país, “está na iminência de ter suas obras paralisadas”.

- É o que diz documento do órgão encaminhado ao Tribunal de Contas da União e assinado pelo diretor interino de Infraestrutura Rodoviária, engenheiro Luiz Guilherme Mello.  

- O departamento é ligado ao Ministério dos Transportes, cujo ministro, Antônio Carlos Rodrigues, já havia dito em audiência no Senado que “as obras do9 país iriam parar por falta de verbas”. Segundo o Dnit, as  empresas que fazem manutenção e construção de estadas do país estão com mais de R$ 1.7 bilhão a receber.

- No documento, o órgão federal diz ainda que, se a situação perdurar, os usuários das rodovias poderão ser prejudicados no seu “direito de ir e vir”. 

- A crise no Dnit começou no ano passado, quando os pagamentos começaram a atrasar mais de 60 dias. As empresas que trabalham para o órgão fecharam o ano com uma dívida de quase R$ 2 bilhões. A dívida ainda segue por volta de R$ 1,7 bilhão. Como as empresas não interromperam seus contratos, elas continuam emitindo faturas de obras realizadas.

- Muitas companhias já estão com seus canteiros praticamente paralisados, pois não têm mais recursos para continuar mantendo os contratos por falta de pagamento, fato agravado pelo reajuste do preço do asfalto.

- Companhias que já estão completando 90 dias sem pagamento – prazo estabelecido no contrato para parar as obras oficialmente por falta de acerto financeiro – estão comunicando ao órgão que não querem mais continuar o serviço.

- A paralisia do Dnit é motivo de preocupação. Até o final do ano, quase metade da malha rodoviária federal terá seus contratos para manutenção ou construção de estradas encerrados.

Cascudo
Anote em sua agenda:  dia 19 (às 16 horas), O Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, comemorando a 13ª  Semana dos Museus, abre a  exposição  (“Intervenção Fotográfica-Canto do Muro”) da fotógrafa e artística plástica Angela Almeida. A artista faz uma leitura estética  do romance de Luís da Câmara Cascudo, Canto de Muro.

São 42 fotografias, tamanho 88x1,20 cada, que serão expostas no muro lateral interno do Ludovicus (Av. Câmara Cascudo, 377, Cidade Alta).

Livro
Amanhã, 15, a partir das 18 horas, na Sala 8, do Centro de Convivência Djalma Marinho, da UFRN, haverá o lançamento do livro Avaliação do Ensino Superior soba ótica dos egressos, de Natália  Veloso Caldas de Vasconcelos e  Fernanda Cristina Barbosa Pereira.

Leitura  A programação de hoje do Ação Leitura, projeto da Editora Jovens Escrivas, leva o romancista mato-grossense Joca Reinners Terron ao campus da UERN, na Zona Norte. Seu bate papo com professores e estudantes está marcado para ás 17h30.

À noite, na Casa da Ribeira, começando ás 19 horas, haverá  ujm sarau poético puxado por Regina Azevedo e Ruy  Rocha.

Chuva  Da noite de terça-feira para o amanhecer de quarta, zero de chuva no Rio Grande do Norte. Começo da  tarde de ontem caiu um chuvinha em Natal, lembrando que era o Dia de Nossa Senhora de Fátima. Muita reza.
Woden Madruga
woden@terra.com.br

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