
O hospital estadual Walfredo Gurgel também está superlotado. Um cartaz informa que falta álcool a antibióticos.
O maior hospital público do Rio Grande do Norte, o Walfredo Gurgel, está sem materiais básicos, como esparadrapos, seringas e luvas. Ele também está superlotado e acomoda pacientes em macas espalhadas pelos corredores.
O aposentado Alonso Pereira de Araújo gastou quase R$ 100 com a compra de materiais para o curativo da tia dele, que foi internada há seis dias com o fêmur quebrado. “Gaze, pomada, esparadrapo, luva. Eu ganho um salário mínimo, meu amigo. Se não fosse meus filhos, eu já tinha morrido de fome, entendeu? Porque o salário mínimo não dá pra eu cuidar de mim e dela não”, desabafa.
Na porta do hospital, o cartaz informa, desde a semana passada, a falta de álcool a antibióticos.
Itens básicos inclusive para os curativos dos casos mais comuns, como as fraturas. O repórter Kleber Teixeira entrou no hospital com uma câmera pequena e conversou com os pacientes. Um deles estava há sete dias sem trocar um curativo na mão.
Na farmácia, a direção do hospital reconheceu a existência do problema pelo atraso na compra dos materiais médico-hospitalares, mas garantiu que o abastecimento já chega a 70% do necessário.
Uma senhora de 84 anos, com infecção nos rins, dorme na maca, no corredor do hospital, desde segunda-feira (11). O problema é agravado pela grande quantidade de pacientes que não param de chegar ao hospital. Em cinco minutos, cinco ambulâncias deixaram pacientes no pronto socorro.
O hospital tem 284 leitos e atende, em média, 400 pessoas por dia. Na manhã desta quinta-feira (14), 35 pacientes estavam nos corredores. “Nós enfrentamos uma situação que, além do que vem ocorrendo que era o desabastecimento, uma superlotação aqui no hospítal. Com isso, tenho profissional que deveria estar assistindo cinco ou seis pacientes e estão assistindo 18, 20 pacientes”, relata Jjsenildo Lira, diretor do hospital.
Para quem vive a angústia da falta de uma tendimento digno, fica difícil conter o desespero: “Eu tô dormindo num papelão. Cochilando, dormindo não, cochilando, porque eu tomo conta dele sozinho há 12 dias já. Se o meu filho morresse numa sala da UTI ou numa cirurgia eu ficava em paz. Mas ali, eu ja falei pra eles que meu filho ta morrendo à mingua”, diz desesperado Maurício Rodrigues. (Jornal Hoje/ TV Globo)
do falarn
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