
Rio (AE) - A inflação chegou ao nono mês de 2015 no maior patamar em 12 anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 7,64% no acumulado até setembro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo menos cinco instituições já esperam uma taxa de dois dígitos ao fim deste ano, marca vista pela última vez em 2002.
Levantamento feito ontem pela Agência Estado mostra que os especialistas preveem IPCA entre 9,37% e 10,60% ao fim de 2015. O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, tem a projeção mais pessimista, tendo em vista o dólar valorizado. Segundo ele, como não é certo o retorno da CPMF e o governo precisa elevar a arrecadação, possivelmente a Cide será elevada de R$ 0,10 para R$ 0,60 por litro de gasolina. “Caso isso aconteça, teremos um aumento da gasolina de pelo menos 20% em dezembro”, disse.
Já o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, prevê que a taxa deste ano ficará em 10%. “É um momento delicado para o Banco Central, por causa do desejo de convergência da inflação à meta de 4,5%”, diz Leal, que espera IPCA de 6% no ano que vem. “O BC vai ter de considerar aumentar juros, mesmo com a economia fraca, ou correr risco de desancorar as expectativas.”
Desde 30 de setembro, os preços da gasolina nas refinarias estão 6% mais caros. O porcentual não é o mesmo percebido na bomba, mas, a cada 1% cobrado a mais nos postos, o impacto na inflação será de 0,04 ponto porcentual, calcula a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.
Ela lembrou, porém, que a gasolina comercializada pelos postos contém 25% de etanol. “A demanda por etanol tem aumentado por causa do preço da gasolina. Além disso, os produtores têm tido problema na colheita (de cana-de-açúcar). Então, o preço do etanol aumentou.”
Impactos
Em setembro, as despesas com habitação e transportes foram os principais pesos sobre o bolso dos consumidores, o que levou o IPCA a uma alta de 0,54%, mais do que o dobro do que em agosto. O avanço do dólar também acabou deixando as compras mais caras.
Segundo o IBGE, o botijão de gás subiu 12,38% no mês passado, adicionando sozinho 0,14 ponto porcentual à taxa da inflação. A alta é fruto do reajuste anunciado pela Petrobras e em vigor desde o início de setembro. Com isso, o item acumula no ano a maior alta desde 2002.
As passagens aéreas, por sua vez, ficaram 23,13% mais caras. Nos alimentos, o avanço da moeda americana ficou mais evidente. “Quando olhamos os produtos que estão entre as principais altas, está lá o pão francês, a farinha de trigo. Claro que a panificadora tem outros custos, como a energia elétrica, a mão de obra, mas a matéria-prima é a farinha de trigo, que é importada”, explicou Eulina. Em setembro, o pão francês ficou 0,99% mais caro.
da TN
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