TEMER SEGUROU GEDDEL. E AGORA: PREVARICOU?

novembro 21, 2016Senador Georgino Avelino Minha Cidade

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Ao se demitir do Ministério da Cultura, Marcelo Calero denunciou um crime no coração do governo de Michel Temer; seu braço-direito, Geddel Vieira Lima, usou o cargo para defender seus próprios interesses, na liberação de uma obra acusada de agredir o patrimônio público de Salvador, onde tem uma unidade de R$ 2,4 milhões; a acusação deixava Michel Temer praticamente sem saída; se não demitisse Geddel, seria cúmplice, acusado de prevaricar, uma vez que Calero o alertou sobre as pressões que sofria; o problema é que os dois são parceiros há mais de duas décadas, desde quando Geddel foi responsável pela administração dos portos no governo Fernando Henrique Cardoso; Temer, no entanto, ainda pode usar o episódio para demitir Geddel, antes que surjam as delações da OAS e da Odebrecht, que também o atingirão

247 – Marcelo Calero, agora ex-ministro da Cultura, denunciou um crime no coração do governo Temer: Geddel Vieira Lima, braço direito do presidente, usa seu cargo para defender seus próprios interesses – e não o interesse público.
Mais precisamente, Geddel pressionou órgãos técnicos do governo a liberar uma obra que, segundo arquitetos e urbanistas, agride o patrimônio histórico de Salvador. O motivo? Geddel tem um apartamento de R$ 2,4 milhões num andar alto do espigão de 107 metros. "Como é que eu fico?", questionou Geddel, ao pressionar Calero (saiba mais aqui).
Diante do escândalo, Temer não tinha outra saída, a não ser demitir Geddel. Isso porque a procuradoria-geral da República não terá meios de abafar a denúncia de Calero – que dificilmente voltará atrás em suas declarações.
Ou seja: se Temer não o demitir, será cúmplice de Geddel, admitindo que, em seu governo, autoridades podem usar seus cargos em prol de benefícios pessoais. Mais grave ainda, será acusado do crime de prevaricação, uma vez que Calero o alertou sobre as pressões ilegítimas que recebia de Geddel (saiba mais aqui). O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (PT-BA), promete entrar com representações contra Geddel e Temer ainda nesta segunda-feira.
A demissão de Geddel, no entanto, teria um alto custo político para Temer, uma vez que os dois atuam juntos no setor portuário há mais de duas décadas, desde quando o político baiano era responsável pela administração dos terminais de Santos, no governo FHC (a esse respeito leia reportagem de Marcelo Auler).
Temer decidiu preservá-lo, mas a queda do articulador político do governo parece ser uma questão de tempo. Se Temer não o demitir agora, diante do escândalo Calero, terá que fazê-lo quando se tornarem públicas as delações premiadas da OAS e da Odebrecht, que fatalmente o atingirão.

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