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GOLPES SEM FRONTEIRAS: A MIOPIA DE UM GOVERNO SEM LEGITIMIDADE

abril 02, 2017Senador Georgino Avelino Minha Cidade

"O Ciência Sem Fronteiras tem 26,4% de seus estudantes negros e 25% de famílias com renda ate três salários mínimos. Tal corte chancela a política do Governo Temer de relegar ao pobre apenas a perspectiva de se manter pobre, mesmo com potencial de crescer. Crescer, adquirir competitividade profissional e know-how internacional fica relegado apenas aos privilegiados", diz o brasileiro Kauan von Novack, que estudou na Holanda e condena o fim do Ciência sem Fronteiras, anunciado por Mendonça Filho, ministro de Michel Temer

Por Kauan Von Novack

O Governo Temer parece ter decidido em colocar um fim ao programa Ciência sem Fronteiras. O ministro Mendonça Filho chegou a comentar que além de o MEC ter sido entregue quebrado, a valor para mandar 30 mil estudantes ao exterior seria capaz de cobrir os gastos da merenda de 40 milhões de crianças da educação básica (argumento leviano e demagogo).

Tal decisão é míope em sua natureza e demonstra a falta de entendimento de Brasil de Temer e sua entourage. 

Não é possível um país do escopo do Brasil ter qualquer projeto de crescimento de longo prazo sem uma formação sólida de mão de obra capacitada para operar a grande engenharia logística de um país de commodities como o Brasil. 

Cortando o Ciência sem Fronteiras, a longo prazo, o Brasil para.  

Disparado à frente, a maior área de formação dos bolsistas era as Engenharias, seguida de áreas como biociência, ciências exatas e da terra e TI, todas áreas com déficit de capacidade e alta demanda no país. Profissionais capacitados no exterior ao regressarem criam choques irradiantes de conhecimento e geração de inovação, ensinam em universidades e trazem exemplos e experiências para criar ondas de novos profissionais qualificados abaixo deles, criando um ciclo virtuoso de formação acadêmica e profissional. 

A economia do Brasil ainda é tristemente dependente de commodities. É consenso entre economistas e acadêmicos que a única solução no longo prazo é industrialização e criação de empresas com produtos de alto valor agregado para manter o país estável em crises mundiais. 

Onde estarão os profissionais brasileiros capazes de competir em um mercado cada dia mais globalizado e competitivo, se não há um governo empoderado os criando? Todos os países da dimensão do Brasil têm investimentos similares e muito maiores na criação de cérebros, pois entendem que eles conduziram a livre iniciativa e o governo no futuro. 

E ainda há um elemento mais claro do porque tal alvo foi escolhido para o abate:

O Ciência Sem Fronteiras tem 26,4% de seus estudantes negros e 25% de famílias com renda ate três salários mínimos. Tal corte chancela a política do Governo Temer de relegar ao pobre apenas a perspectiva de se manter pobre, mesmo com potencial de crescer. Crescer, adquirir competitividade profissional e know-how internacional fica relegado apenas aos privilegiados.

O programa do CsF não apenas ajuda o Brasil a começar uma revolução em sua Ciência e Tecnologia e talvez um dia reverter o cenário de inovação precário que temos hoje, mas ajudaria também a criar uma comunidade de profissionais globais criando e trazendo oportunidades de crescimento para o país a longo prazo, algo tão necessário depois de tantos altos e baixos econômicos de nossa historia.  

O CsF é um dos únicos programas com consequências no curto, médio  e longo prazo e seu encerramento não é apenas triste, mas do ponto de vista de desenvolvimento econômico e social, é inaceitável.

Kauan Von Novack é escritor, estrategista politico e empreendedor internacional do ramo de alta inovação. Já criou empresas em quatro países, tem três livros lançados e atualmente trabalha com estratégia política para partidos progressistas na Holanda.

do 247

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