“O povo tem direito à água”, proclama Lula à multidão em Monteiro (PB)

março 22, 2017Senador Georgino Avelino Minha Cidade

“Não consegui não me emocionar. Lembrei da história dos meus pais”. O desabafo do potiguar Bruno Luiz era o resumo do sentimento comum às mais de 100 mil pessoas que se espremiam sob o sol torturante de Monteiro (PB), na tarde de domingo (19), para ver o ex-presidente Lula e a presidenta eleita, deposta pelo golpe parlamentar de 2016, Dilma Rousseff.  Os dois foram ao município do Cariri paraibano participar da Inauguração Popular da Transposição do Rio São Francisco.

Bruno era um dos milhões de Lula que povoam esse Brasil presentes em Monteiro. Lula evocou nele a lembrança dos pais agricultores, Luiz Galdino de Araújo e Maria do Socorro Santos de Araújo, ao rememorar o próprio sofrimento com a seca durante a infância em Caetés (PE).
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“Quando eu tinha sete anos de idade, eu já carregava lata d’água na cabeça. Eu sei o que é colocar água barrenta num pote, esperando ela assentar, aí quando [a água] assentava, [a gente] colocava noutro [pote] e depois noutro. A barriga era cheia de esquistossomose”, narrou o ex-presidente.

Ele contou, ainda, que em dezembro de 1952, sua mãe “colocou os filhos debaixo do braço e foi pra São Paulo, porque não queria ver filho nenhum morrer de fome ou de sede”.
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Lula disse que não fez a transposição porque era “bonzinho”, mas porque, na condição de nordestino, além da empatia com o sofrimento do sertanejo, entendia que “o povo tem direito à água pra beber, pra dar aos animais e pra plantar”.

“A imprensa dizia que eu tinha que fazer viadutos, estradas, rodovias, mas se o povo comesse cimento, eu ia fazer a rodovia. O povo come é arroz, feijão, farinha. Por isso, a gente vai dar comida pra esse povo, porque no dia em que ele tiver força, ele vai gerar produção, vai gerar crescimento pra economia e a gente vai poder fazer as estradas”, relatou, sobre suas prioridades quando assumiu o governo pela primeira vez em 2003.
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A transposição começou a virar realidade em 2007, primeiro ano do segundo governo do ex-presidente Lula. Ao terminar o mandato, delegou à presidenta Dilma Rousseff, sua sucessora, a missão de continuar a obra. Foi com ela que os investimentos se intensificaram, faltando muito pouco para a sua conclusão antes de ser deposta pelo golpe parlamentar de 2016.

Tudo na obra soa superlativo. No total, são 477 km de extensão, divididos entre os eixos Norte (260 km) e Leste (217 km), com capacidade para levar água a 12 milhões de pessoas que vivem no sertão de quatro estados (Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte), ao custo atualizado de R$ 10,6 bilhões.

Lula ressaltou que, mesmo com a chegada da transposição, o problema da seca ainda não está resolvido. Ele disse que é preciso cobrar que o governo realize as obras complementares para levar água às torneiras das famílias nordestinas.
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“O fato de a água estar aqui não significa que o problema está resolvido, porque está cheio de gente morrendo de seca na beira do açude e do Rio São Francisco. Agora é preciso levar para a adutora, tratar a água e levar para a torneira. Esse projeto tem compromisso com 290 comunidades para que a água possa chegar para ele plantar o mínimo necessário”, alertou.

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT), presente ao ato em Monteiro, convocou a população potiguar a se mobilizar pela retomada das obras do Eixo Norte, paralisadas desde o final de 2016, para que as águas da transposição possam chegar ao Rio Grande do Norte.
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“É por isso que no próximo dia 22, Dia Mundial da Água, estou organizando uma reunião para que a gente trace estratégias para articular a luta pela retomada das obras do Eixo Norte, que trará a água para o RN, Ceará e Sertão da Paraíba”, comentou.

Fotos: Vlademir Alexandre e Ricardo Stuckert.

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