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HENRY-LEVY: LULA É A ESQUERDA RESPEITÁVEL

março 05, 2017Senador Georgino Avelino Minha Cidade

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Um dos pensadores mais respeitados da atualidade, o filósofo francês Bernard-Henri Lévy saiu em defesa do ex-presidente Lula; "Lula, para mim, é a esquerda respeitável", disse o pensador em entrevista publicada pelo Globo neste domingo, 5; Levy também analisou a crescente onda populista nos países desenvolvidos; para ele, a ascensão de Donald Trump é uma "catástrofe" para os EUA e para o mundo; "Há uma tal desconfiança dos povos em relação aos sábios, aos atores políticos, aos partidos, que o fato de rejeitar isso tudo se tornou um objetivo em si. Entramos em uma época em que repudiar as elites pode se tornar mais desejável para um povo do que assegurar sua prosperidade", afirma

247 - O filósofo francês Bernard-Henri Lévy, um dos mais respeitados pensadores da atualidade, saiu em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista publicada pelo jornal O Globo neste domingo, 5, Henry-Levy classificou Lula como representante da "esquerda respeitável". 

"Na França, estamos face a uma esquerda que anda para trás, que está voltando às conquistas da batalha antitotalitária. Que batalha é esta? É parar de falar "a" esquerda como uma espécie de entidade englobando as esquerdas liberal e totalitária. É parar de fazer como se houvesse um gênero comum à esquerda, do qual a esquerda democrática e a esquerda totalitária seriam duas espécies. A modernidade, o resultado das lutas antitotalitárias do fim do século XX, é que paramos de fazer esta confusão entre Pierre Mendès France e Maurice Thorez, ou entre Manuel Valls e tal obtuso trotskista da Luta Operária. Ou ainda, na América do Sul, entre Lula e Hugo Chávez. O primeiro, Lula: voilà, para mim, a esquerda respeitável. O segundo, Chávez: um tipo de populista vagamente antissemita, adulando os baixos instintos, e que não tem nada mais a ver com a esquerda. Eu permaneço fiel à esquerda de Jean Jaurès, Léon Blum ou Lula. Não partilho nada com os agentes de Moscou, os assassinos deste ou daquele país comunista, os castristas, os cambojanos. Não são "irmãos inimigos". É o zero grau da fraternidade. É o grande mal-entendido que Maurice Clavel pedia que fosse quebrado. E o mérito de François Mitterrand, François Hollande ou Manuel Valls terá sido o de começar a operar esta quebra", afirma Levy. 

O filósofo faz duras críticas ao cenário político da França. Para ele, a política francesa está em pleno "sonambulismo". "Se olharmos para a França, estamos a pleno neste sonambulismo. Veja a forma como a esquerda destruiu seus dois candidatos mais críveis, (o presidente) François Hollande e (o premier) Manuel Valls. E a forma como a direita destruiu sucessivamente seus três: Nicolas Sarkozy, Alain Juppé e, agora, François Fillon. Há algo muito estranho neste jogo de massacre, dos dois lados. Se a França quisesse criar um bulevar para (a candidata de extrema-direita) Marine Le Pen, não teria como fazer melhor", afirma. 

Sobre o presidente Donald Trump, Henry-Levy o classifica como uma catástrofe para os EUA e para o mundo. "E também uma ameaça para o mundo. Penso que não se pode ter na liderança da primeira potência mundial este personagem instável, incerto de suas próprias convicções, pragmático, o que também quer dizer cínico. É muito inquietante. Os europeus, os sul-americanos, viviam até hoje na ideia de que o risco sistêmico para a democracia vinha do islamismo radical. Ou da Rússia. E, em outros tempos, do comunismo. E, de repente, o risco vem dos EUA. Há um risco sistêmico para o sistema político mundial que pode vir dos EUA, e essa é uma situação sem precedente", afirma. 

Questionado sobre o que explicaria a ascensão de Trump e de outros atores da direita, como Marine Le Pen, Henry-Levy credita parte da causa à chamada pós-verdade. "Há muitas explicações. Mas há uma espécie de revolução mundial que está em marcha, que é a revolução das ideias simples, dos que buscam bodes expiatórios, dos racistas, das pessoas que desprezam a democracia. É um movimento de caráter mundial e que se desenvolve também nos EUA. E há razões quase técnicas: a forma como as redes sociais tratam a noção de verdade; esta história de "fatos alternativos", que não é somente uma loucura de Trump, pois tem a ver com o regime de circulação da informação etc. Muitas pessoas votaram em Trump persuadidas que Obama era muçulmano, que Hillary Clinton era corrupta, que os EUA só dariam certo se bloqueassem a porta à América do Sul. Hoje, a mentira e a verdade têm o mesmo status, e é muito difícil distinguir uma da outra. É uma situação filosófica totalmente nova".

"Há uma tal desconfiança dos povos em relação aos sábios, aos atores políticos, aos partidos, que o fato de rejeitar isso tudo se tornou um objetivo em si. Entramos em uma época em que repudiar as elites pode se tornar mais desejável para um povo do que assegurar sua prosperidade. É uma nova variante do "Discurso da Servidão Voluntária", de Étienne de La Boétie. Uma outra forma de fazer passar sua sobrevivência e seu bem estar depois desta frenética paixão que é o ódio das elites, das mediações e das instituições"

Leia na íntegra a entrevista de Bérnard Henry-Levy.

Leia comentário do jornalista Ricardo Bruno, em seu Facebook, sobre o assunto:

"Lula é a esquerda respeitável, diz Bernard Levy

De tudo que li neste domingo de sol resplandecente, o melhor foi a entrevista do filósofo francês Bernard Levy, em O Globo. Quem ainda se surpreende com o êxito eleitoral de Bolsonaro e assemelhados, quem ainda se mostra aturdido com o ódio à democracia, ou com a absoluta negação de princípios, sejam eles quais forem, do niilismo reinante, não pode deixar de ler. Destaco algumas frases, para reflexão:

Repudiar as elites pode se tornar mais desejável para uma nação do que assegurar sua propriedade.

Os estados democráticos avançam na direção errada, em direção ao populismo e ao niilismo.

Lula para mim é a esquerda respeitável. Chavez, não. É um populista vagamente antissemita e que nada tem a ver com a esquerda.

O fascismo passa quando a direita cede. A direita que é a proteção contra o fascismo, não a esquerda.

A análise é genial. Leitura obrigatória."

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